Wednesday, April 11, 2007

Adieu Loïc

Várias vezes recordista de apneia, nomeadamente na disciplina "No Limits", faleceu hoje durante um treino o apneísta Loïc Leferme.

Pelo indicado no comunicado de imprensa, terá sido uma falha no sistema de contrapeso a causa desta fatalidade.

O comunicado de imprensa, bem como (assim que disponíveis) suponho mais pormenores sobre o acidente poderão ser vistos em http://loic.leferme.free.fr

A este grande da apneia mundial um saudoso adeus.

Wednesday, March 28, 2007

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

É curioso como diversas vezes perante algo novo, a primeira reação é de pura estranheza, para numa fase posterior passarmos a adorar completamente essa mesma coisa.
No caso a que me refiro aqui, o algo é música. Não sei como é com os outros, mas já me sucedeu por diversas vezes que no primeiro contacto que tenho com determinada música, acho aquilo... estranho, não consigo dizer que gosto, mas também que não gosto (se bem que em algumas ocasiões cheguei ao ponto de quase arrepender-me da aquisição de determinada obra), para após algumas audições passar a não conseguir parar de ouvir, ao ponto de ter de adquirir o máximo que consiga da discografia.
Aconteceu-me com Leonard Cohen, Tom Waits, Mafalda Arnauth, Laïs, Jewel, Blondie, João Gilberto, Sérgio Godinho, e uns tantos outros...
Mais curioso é sentir essa mesma estranheza relativamente a um artista (no caso em questão banda) que já se conhecia e que por sinal tinha transitado precisamente por tal processo de estranheza inicial quando se ouviu a primeira vez. Não estou a dizer que não vejo diferenças nos diversos albuns de determinado artista (ou banda), claro que sim que as há e é bom que assim seja, senão para quê fazer mais albuns... Mas tratando-se de um daqueles casos de adoração quase patogénica pela música de uma determinada banda, ao ouvir o novo album dessa banda pela primeira vez e parecer que não se está a reconhecer aquilo de parte alguma, é algo um tanto inesperado, pelo menos... mas eis que, algumas audições depois já não consigo perceber porquê tanta estranheza na primeira audição, pois afinal agora parece-me um som perfeitamente enquadrado com a banda, com algumas diferenças é certo, mas que também já faz parte dos meus vícios musicais...
A banda em questão: Within Temptation
O album novo: The Heart Of Everything

PS - O concerto do passado dia 24/03/2007 no Paradise Garage em Lisboa, foi um espectáculo

Saturday, March 24, 2007

Nevoeiros do Sobrenaturalismo

Na falta de tempo, inspiração e sei lá que mais para escrever algo, deixo uma recomendação de leitura:

Nevoeiros do Sobrenaturalismo

Saturday, March 10, 2007

Une part de jeu

"... c'est le plaisir de la polémique, le plaisir de pousser l'autre à s'opposer. Le pervers narcisique, nous l'avons dit aime la controverse. Il est capable de soutenir un point de vue un jour et de défendre les idées inverses le lendemain, juste pour faire rebondir la discussion ou, délibérément, pour choquer. Si le partenaire victime de cette violence ne réagit pas suffisamment, il suffit d'en rajouter un peut dans la provocation. Le partenaire victime de cette violence ne réagit pas parce qu'il a tendance à excuser l'autre, mais aussi parce que la violence s'installe de façon insidieuse. Une telle attitude violente survenant brusquement ne pourrait que provoquer la colère, mais sa mise en place progressive désamorce toute réaction. La victime ne repère l'agressivité du message que lorsqu'il est devenu presque une habitude."

Remarques désagréables

"Toutes les remarques désagréables constituent des blessures qui ne sont pas compensées par des marques de gentillesse. La peine qui en résulte est déviée par le partenaire qui la tourne en dérision*"

* - Dérision

Surnoms

"...un procédé pervers usuel, consiste à affubler l'autre d'un surnom ridicule qui s'appuie sur un travers, une difficulté : la grosse, le pédé, la grosse loche, le mollasson... Ces surnoms, même s'ils sont blessants, sont souvent acceptés par l'entourage rendu complice et qui en rit."

Sarcasmes

"Les sarcasmes et les remarques acerbes sont acceptés comme le prix à payer pour maintenir une relation avec un partenaire difficile.
Pour avoir la tête hors de l'eau, le pervers à besoin d'enfoncer l'autre. Pour cela, il procède par petites touches déstabilisantes, de préférence en public, à partir d'une chose anodine parfois intime décrite avec exagération, prenant parfois un allié dans l'assemblée.
Ce qui compte, c'est d'embarrasser l'autre. On perçoit l'hostilité, mais on n'est pas sûr qu'il ne s'agit pas d'une plaisanterie. Le pervers paraît taquiner, en realité il attaque sur des points faibles : un «gros nez», des «seins plats», une difficulté à s'exprimer...
L'agression se fait à bas bruit, par allusions, par sous-entendus, sans que l'on puisse dire à quel moment elle a commencé et si c'en est vraiment une. L'attaquant ne se compromet pas, souvent même il retourne la situation en désignant les désirs agressifs de sa victime : «Si tu penses que je t'agresse, c'est que tu est toi-même agressif!»"

Dérision

"La dérision consiste à se moquer de tout et de tout le monde. La permanenence de cette attitude fait tomber la méfiance - c'est une simple façon d'être - mais crée une atmosphère désagréable et place la communication sur un mode qui n'est jamais sincère.
Les méchancetés (vérités qui font du mal) ou les calomnies (mensonges) naissent souvent de l'envie."

Monday, February 26, 2007

Solidão

"A pior solidão que existe é darmo-nos conta de que as pessoas são idiotas."
Gonzalo Torrente Ballester

Sunday, February 25, 2007

O fim último da vida

Autor do texto - João Pereira Coutinho, jornalista

Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não.A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe:jardim-escola aos três, natação aos quatro,lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente mas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho,o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho,os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne,saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!

Thursday, February 22, 2007

Nunca mais te hás-de calar

Faz amanhã 20 anos que morreu Zeca Afonso, mas como escreveu José Mário Branco:
Nunca mais te hás-de calar, Ó Zeca para nós...

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Zeca
por José Mário Branco

Vieste de menino de oiro pela mão
Acordar a madrugada
E fez mais ás vezes uma só canção
Do que muita panfletada
Grandes janelas soubeste abrir
Por onde o ar correu sem te pedir
Que não se cansem de nascer
As fontes onde vais beber

Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca, para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor
A tua voz

Vestiste a capa de caloiro coimbrão
Para ultrapassar o fado
E, em cada natal, teu fruto temporão
Nunca foi ultrapassado
Na distracção jogas á defesa
Com humor disfarças a tristesa
Cantas a esp'rança e o amor
Que o povo te ensinou, de cor

Nem tudo o que reluz é oiro, pois então
E bem gostaria o facho
De te ver calado e manso pela mão
Com medalhas no penacho
Co'a tua ronha felina e sã
Vais-lhe atirando as flechas de amanhã
O olho pisco a acender
E a garganta a acontecer

Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca, para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor
A tua voz

Vieste de menino de oiro pela mão...

Friday, February 16, 2007

Vantagem da inteligênica

"Nos tempos em que a inteligência era uma vantagem, os nossos antepassados eram, em média, mais inteligentes que outros das suas gerações."*

Sei bem que isto está fora do contexto, mas por isso mesmo acho piada a esta frase quando se pensa em quem conduz os nossos destinos hoje em dia, seja ao nível governativo seja relativamente à hierarquia numa grande empresa.



* - Isto é apenas uma frase da terceira parte de um artigo sobre a teoria da evolução das espécies de Darwin (podeís encontrar as duas primeiras aqui: parte 1, parte 2)

Tuesday, February 13, 2007

Humberto da Silva Delgado


conhecido como o General Sem Medo (1906 — 1965) foi um general português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral fraudulento que desta forma deu a vitória ao candidato do regime ditatorial vigente, Américo Thomaz.
[...]
Desiludido com os sucessivos fracassos procura reconciliar-se com Salazar que por fim o convoca. Ao seu encontro, na fronteira Espanhola em Villanueva del Fresno (Espanha, nos arredores de Olivença), é enviado um comando da PIDE, liderado por Rosa Casaco que o assassinou a tiro, bem como à sua secretária. Morre assim na fronteira, sem ter conseguido regressar a Portugal, no dia 13 de Fevereiro de 1965.

Catarina Eufémia


«No dia 19 de Maio de 1954, em plena época da ceifa do trigo, Catarina e mais treze outras ceifeiras foram reclamar com o feitor da propriedade onde trabalhavam para obter um aumento de 2 escudos pela jorna.»

«Catarina fora escolhida pelas suas colegas para apresentar as suas reivindicações. A uma pergunta do tenente da guarda, Catarina terá respondido que só queriam "trabalho e pão". Como resposta teve uma bofetada que a enviou ao chão. Ao levantar-se, terá dito: "Já agora mate-me." O tenente da guarda disparou três balas que lhe estilhaçaram as vértebras.»

«De acordo com a autópsia, Catarina foi atingida por "três balas, à queima-roupa, pelas costas, actuando da esquerda para a direita, de baixo para cima e ligeiramente de trás para a frente, com o cano da arma encostada ao corpo da vítima.»

Saturday, February 10, 2007

Cantar Alentejano

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar