Wednesday, April 25, 2007
33 anos - 25 de Abril Sempre
Grandola Vila Morena
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Algumas destas quadras forma proibidas pela censura! No entanto, num concerto (Coliseu?) quando chegou a altura dessas quadras, Zeca Afonso cantou "la la la" e o público em coro cantou a letra que faltava! Claro que nem a PIDE o podia impedir!
Wednesday, April 11, 2007
Adieu Loïc
Várias vezes recordista de apneia, nomeadamente na disciplina "No Limits", faleceu hoje durante um treino o apneísta Loïc Leferme.
Pelo indicado no comunicado de imprensa, terá sido uma falha no sistema de contrapeso a causa desta fatalidade.
O comunicado de imprensa, bem como (assim que disponíveis) suponho mais pormenores sobre o acidente poderão ser vistos em http://loic.leferme.free.fr
A este grande da apneia mundial um saudoso adeus.
Pelo indicado no comunicado de imprensa, terá sido uma falha no sistema de contrapeso a causa desta fatalidade.
O comunicado de imprensa, bem como (assim que disponíveis) suponho mais pormenores sobre o acidente poderão ser vistos em http://loic.leferme.free.fr
A este grande da apneia mundial um saudoso adeus.
Wednesday, March 28, 2007
Primeiro estranha-se, depois entranha-se
É curioso como diversas vezes perante algo novo, a primeira reação é de pura estranheza, para numa fase posterior passarmos a adorar completamente essa mesma coisa.
No caso a que me refiro aqui, o algo é música. Não sei como é com os outros, mas já me sucedeu por diversas vezes que no primeiro contacto que tenho com determinada música, acho aquilo... estranho, não consigo dizer que gosto, mas também que não gosto (se bem que em algumas ocasiões cheguei ao ponto de quase arrepender-me da aquisição de determinada obra), para após algumas audições passar a não conseguir parar de ouvir, ao ponto de ter de adquirir o máximo que consiga da discografia.
Aconteceu-me com Leonard Cohen, Tom Waits, Mafalda Arnauth, Laïs, Jewel, Blondie, João Gilberto, Sérgio Godinho, e uns tantos outros...
Mais curioso é sentir essa mesma estranheza relativamente a um artista (no caso em questão banda) que já se conhecia e que por sinal tinha transitado precisamente por tal processo de estranheza inicial quando se ouviu a primeira vez. Não estou a dizer que não vejo diferenças nos diversos albuns de determinado artista (ou banda), claro que sim que as há e é bom que assim seja, senão para quê fazer mais albuns... Mas tratando-se de um daqueles casos de adoração quase patogénica pela música de uma determinada banda, ao ouvir o novo album dessa banda pela primeira vez e parecer que não se está a reconhecer aquilo de parte alguma, é algo um tanto inesperado, pelo menos... mas eis que, algumas audições depois já não consigo perceber porquê tanta estranheza na primeira audição, pois afinal agora parece-me um som perfeitamente enquadrado com a banda, com algumas diferenças é certo, mas que também já faz parte dos meus vícios musicais...
A banda em questão: Within Temptation
O album novo: The Heart Of Everything
PS - O concerto do passado dia 24/03/2007 no Paradise Garage em Lisboa, foi um espectáculo
No caso a que me refiro aqui, o algo é música. Não sei como é com os outros, mas já me sucedeu por diversas vezes que no primeiro contacto que tenho com determinada música, acho aquilo... estranho, não consigo dizer que gosto, mas também que não gosto (se bem que em algumas ocasiões cheguei ao ponto de quase arrepender-me da aquisição de determinada obra), para após algumas audições passar a não conseguir parar de ouvir, ao ponto de ter de adquirir o máximo que consiga da discografia.
Aconteceu-me com Leonard Cohen, Tom Waits, Mafalda Arnauth, Laïs, Jewel, Blondie, João Gilberto, Sérgio Godinho, e uns tantos outros...
Mais curioso é sentir essa mesma estranheza relativamente a um artista (no caso em questão banda) que já se conhecia e que por sinal tinha transitado precisamente por tal processo de estranheza inicial quando se ouviu a primeira vez. Não estou a dizer que não vejo diferenças nos diversos albuns de determinado artista (ou banda), claro que sim que as há e é bom que assim seja, senão para quê fazer mais albuns... Mas tratando-se de um daqueles casos de adoração quase patogénica pela música de uma determinada banda, ao ouvir o novo album dessa banda pela primeira vez e parecer que não se está a reconhecer aquilo de parte alguma, é algo um tanto inesperado, pelo menos... mas eis que, algumas audições depois já não consigo perceber porquê tanta estranheza na primeira audição, pois afinal agora parece-me um som perfeitamente enquadrado com a banda, com algumas diferenças é certo, mas que também já faz parte dos meus vícios musicais...
A banda em questão: Within Temptation
O album novo: The Heart Of Everything
PS - O concerto do passado dia 24/03/2007 no Paradise Garage em Lisboa, foi um espectáculo
Saturday, March 24, 2007
Nevoeiros do Sobrenaturalismo
Na falta de tempo, inspiração e sei lá que mais para escrever algo, deixo uma recomendação de leitura:
Nevoeiros do Sobrenaturalismo
Nevoeiros do Sobrenaturalismo
Sunday, March 11, 2007
Saturday, March 10, 2007
Saturday, March 3, 2007
Declaração de Bruxelas
Trata-se de um texto que, redigido em termos muito abrangentes, visa congregar esforços dos cidadãos europeus no sentido da afirmação e da defesa dos valores seculares/laicos da Europa, designadamente no âmbito de uma (previsívelmente) próxima iniciativa de retoma do projecto de dotar a União Europeia com uma Constituição Política.
O texto está aqui: https://www.iheu.org/v4e/html/portuguese.html
O texto está aqui: https://www.iheu.org/v4e/html/portuguese.html
Monday, February 26, 2007
Solidão
"A pior solidão que existe é darmo-nos conta de que as pessoas são idiotas."
Gonzalo Torrente Ballester
Gonzalo Torrente Ballester
Sunday, February 25, 2007
O fim último da vida
Autor do texto - João Pereira Coutinho, jornalista
Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não.A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe:jardim-escola aos três, natação aos quatro,lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente mas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho,o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho,os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne,saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!
Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não.A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe:jardim-escola aos três, natação aos quatro,lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente mas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho,o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho,os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne,saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!
Thursday, February 22, 2007
Nunca mais te hás-de calar
Faz amanhã 20 anos que morreu Zeca Afonso, mas como escreveu José Mário Branco:
Nunca mais te hás-de calar, Ó Zeca para nós...
Zeca
por José Mário Branco
Vieste de menino de oiro pela mão
Acordar a madrugada
E fez mais ás vezes uma só canção
Do que muita panfletada
Grandes janelas soubeste abrir
Por onde o ar correu sem te pedir
Que não se cansem de nascer
As fontes onde vais beber
Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca, para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor
A tua voz
Vestiste a capa de caloiro coimbrão
Para ultrapassar o fado
E, em cada natal, teu fruto temporão
Nunca foi ultrapassado
Na distracção jogas á defesa
Com humor disfarças a tristesa
Cantas a esp'rança e o amor
Que o povo te ensinou, de cor
Nem tudo o que reluz é oiro, pois então
E bem gostaria o facho
De te ver calado e manso pela mão
Com medalhas no penacho
Co'a tua ronha felina e sã
Vais-lhe atirando as flechas de amanhã
O olho pisco a acender
E a garganta a acontecer
Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca, para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor
A tua voz
Vieste de menino de oiro pela mão...
Nunca mais te hás-de calar, Ó Zeca para nós...
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Zeca
por José Mário Branco
Vieste de menino de oiro pela mão
Acordar a madrugada
E fez mais ás vezes uma só canção
Do que muita panfletada
Grandes janelas soubeste abrir
Por onde o ar correu sem te pedir
Que não se cansem de nascer
As fontes onde vais beber
Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca, para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor
A tua voz
Vestiste a capa de caloiro coimbrão
Para ultrapassar o fado
E, em cada natal, teu fruto temporão
Nunca foi ultrapassado
Na distracção jogas á defesa
Com humor disfarças a tristesa
Cantas a esp'rança e o amor
Que o povo te ensinou, de cor
Nem tudo o que reluz é oiro, pois então
E bem gostaria o facho
De te ver calado e manso pela mão
Com medalhas no penacho
Co'a tua ronha felina e sã
Vais-lhe atirando as flechas de amanhã
O olho pisco a acender
E a garganta a acontecer
Nunca mais te hás-de calar
Ó Zeca, para nós
Canta sempre sem parar
Que é seiva e flor
A tua voz
Vieste de menino de oiro pela mão...
Friday, February 16, 2007
Vantagem da inteligênica
"Nos tempos em que a inteligência era uma vantagem, os nossos antepassados eram, em média, mais inteligentes que outros das suas gerações."*
Sei bem que isto está fora do contexto, mas por isso mesmo acho piada a esta frase quando se pensa em quem conduz os nossos destinos hoje em dia, seja ao nível governativo seja relativamente à hierarquia numa grande empresa.
* - Isto é apenas uma frase da terceira parte de um artigo sobre a teoria da evolução das espécies de Darwin (podeís encontrar as duas primeiras aqui: parte 1, parte 2)
Sei bem que isto está fora do contexto, mas por isso mesmo acho piada a esta frase quando se pensa em quem conduz os nossos destinos hoje em dia, seja ao nível governativo seja relativamente à hierarquia numa grande empresa.
* - Isto é apenas uma frase da terceira parte de um artigo sobre a teoria da evolução das espécies de Darwin (podeís encontrar as duas primeiras aqui: parte 1, parte 2)
Tuesday, February 13, 2007
Saturday, February 10, 2007
Cantar Alentejano
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
Tuesday, February 6, 2007
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