"Physics is like sex. Sure, it may give some practical results, but that's not why we do it."
Richard Feynman
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Saturday, March 8, 2008
Wednesday, June 20, 2007
Tuesday, February 6, 2007
Inspiração do génio (4)
Se os mais distintos físicos e matematicos acreditam no génio como mágico é, em parte, para sua protecção psicológica. Um cientista apenas excelente poderia sofrer um choque desagradavel se discutisse s seu trabalho com Feynman. Aconteceu vezes sem conta: os físicos esperavam por uma oportunidade para terem a opinião de Feynman acerca do resultado de um trabalho no qual tinham empenhado semanas ou meses da sua carreira. Como era típico de Feynman, este recusar-se-ia a deixá-los dar uma completa explicação desse trabalho. Dizia que era menos divertido para ele. Permitia-lhes apenas que apresentassem as linhas gerais do problema, antes de interromper e dizer oh, eu sei... e rabiscar no quadro, não o resultado, A, do problema apresentado pelo visitante, mas sim um teorema mais difícil, mais geral, X. Assim, A (prestes a ser enviado, talvez, para a Physical Review) não passava de um caso particular. Isto podia magoar. Por vezes, não era claro se as repostas iluminadas de Feynman resultavam de um cálculo instantâneo ou de um conhecimento previamente armazenado e trabalhado - e não publicado. 0 astrofísico Willy Fowler propôs, num seminário no Caltech, nos anos 60, que os quasares - misteriosas fontes de radiação brilhantes, recentemente descobertas no céu - eram estrelas com uma enorme massa, tendo-se Feynman levantado de imediato para dizerr, surpreendendo toda a gente, que tais objectos seriam gravitacionalmente instáveis. Mais, afirmou que a instabilidade era um resultado da relatividade geral. Esta afirmação exigia um cálculo dos subtis efeitos de equilibrio entre as forças estelares e a gravidade relativista. Fowler pensou que Feynman estava a falar sem conhecimento de causa. Mais tarde um colega descobriu que Feynman havia efectuado um trabalho de uma centena de páginas sobre o assunto alguns anos antes. 0 astrónomo de Chicago Subrahmanyan Chandrasekhar, trabalhando independentemente, chegou ao mesmo resultado de Feynman - e isso constitiu parte do trabalho que lhe valeu o prémio Nobel vinte anos depois.
O próprio Feynman nunca se preocupou em publica-lo. Alguém com uma ideia nova arriscava~se sempre a descobrir, como dizia um colega, "que Feynman tinha passado por ela e partido em busca de outra».
Um grande físico que acumulava saber sem se dar ao trabalho de o publicar podia ser um autêntico perigo para os seus colegas. Na melhor das hipóteses, era desanimador saber que uma descoberta susceptível de promover a carreira de uma pessoa estava, para Feynman, abaixo do limiar da publicabilidade.
in "Feynman - A Natureza do Génio" de James Gleick
O próprio Feynman nunca se preocupou em publica-lo. Alguém com uma ideia nova arriscava~se sempre a descobrir, como dizia um colega, "que Feynman tinha passado por ela e partido em busca de outra».
Um grande físico que acumulava saber sem se dar ao trabalho de o publicar podia ser um autêntico perigo para os seus colegas. Na melhor das hipóteses, era desanimador saber que uma descoberta susceptível de promover a carreira de uma pessoa estava, para Feynman, abaixo do limiar da publicabilidade.
in "Feynman - A Natureza do Génio" de James Gleick
Sunday, February 4, 2007
Experiências
"Não temos de nos desculpar com um número insuficiente de experiências, a questão nada tem a ver com experiências. A nossa situação é diferente, digamos, da do campo de mesões, em relação ao qual dizemos não existirem indícios suficientes para a mente humana poder visualizar a questão. Não deveríamos sequer ter de olhar para as experiências [...] Fazê-lo é o mesmo que ir às últimas páginas do livro, ver qual é a solução [...] A única razão pela qual não conseguimos resolver este problema da supercondutividade é a nossa falta de imaginação."
Richard Feynman
Richard Feynman
Thursday, January 4, 2007
Indeterminação
"Pensa-se geralmente que esta indeterminação, o facto de não podermos prever o futuro, é uma coisa da mecânica quântica, e diz-se que isto explica o comportamento da mente, os sentimentos de livre arbítrio, etc. Mas, se o mundo fosse clássico - se as leis da mecânica fossem clássicas -, não é evidente que a nossa mente não sentisse mais ou menos o mesmo."
"Quando a água cai numa barragem, se estivermos por perto, somos salpicados; de vez em quando alguns pingos vêm aterrar no nosso nariz. Isto parece ser completamente aleatório [...] As mais pequenas irregularidades são amplificadas quando a água cai, de modo que o que nos atinge é completamente aleatório [...]
Falando com maior rigor, seja qual for a precisão que consideremos, é sempre possível estabelecer um intervalo de tempo suficientemente longo para que nesse espaço de tempo não possam fazer-se previsões válidas. Ora a questão é que este intervalo de tempo não é muito grande [...] Verifica-se que num intervalo de tempo extremamente pequeno perdemos toda a nossa informação [...] Deixamos de poder prever o que vai acontecer! Deste modo, não é justo afirmar que, a partir da aparente liberdade e indeterminação da mente humana, devíamos ter concluído que a física clássica «determinista» nunca poderia ter pretensões de compreender isso e receber a mecânica quântica de braços abertos como uma libertação de um universo «completamente mecanicista»."
"Quando a água cai numa barragem, se estivermos por perto, somos salpicados; de vez em quando alguns pingos vêm aterrar no nosso nariz. Isto parece ser completamente aleatório [...] As mais pequenas irregularidades são amplificadas quando a água cai, de modo que o que nos atinge é completamente aleatório [...]
Falando com maior rigor, seja qual for a precisão que consideremos, é sempre possível estabelecer um intervalo de tempo suficientemente longo para que nesse espaço de tempo não possam fazer-se previsões válidas. Ora a questão é que este intervalo de tempo não é muito grande [...] Verifica-se que num intervalo de tempo extremamente pequeno perdemos toda a nossa informação [...] Deixamos de poder prever o que vai acontecer! Deste modo, não é justo afirmar que, a partir da aparente liberdade e indeterminação da mente humana, devíamos ter concluído que a física clássica «determinista» nunca poderia ter pretensões de compreender isso e receber a mecânica quântica de braços abertos como uma libertação de um universo «completamente mecanicista»."
Saturday, December 30, 2006
Electrão
"O electrão faz o que lhe apetece. Segue qualquer direcção à velocidade que quiser, para a frente ou para trás no tempo, conforme lhe aprouver, e depois nós somamos as amplitudes e obtemos a função de onda."
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